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Voltar ao trabalho após o câncer

  

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É duro de dizer, mas não podemos tapar o sol com a peneira: como é difícil retomar a posição profissional depois de vencer a doença

É duro de dizer, mas não podemos tapar o sol com a peneira: como é difícil retomar a posição profissional depois de vencer a doença

A situação não é incomum. Após ser diagnosticado com um câncer de sangue, o funcionário recebe uma licença para cuidar da saúde e,
quando volta, vê que uma pessoa assumiu suas funções, ou que seu posto deixou de existir.

Com o tempo, tenta se readaptar, mas nota que seus colegas estão cada vez mais frios e distantes. Aos poucos, com o emocional abalado, a pessoa perde produtividade antes de ser comunicada (expirado o prazo estipulado pelas leis trabalhistas) que está dispensada.

Nesse momento, o profissional percebe que, além dos desafios tradicionais da busca pelo emprego, precisa lidar também com o preconceito. E assim começa a saga em busca de recolocação, uma porta após a outra se fecha quando revelam na entrevista o histórico da doença. E isso
vale tanto para executivos com sólida formação acadêmica como para funcionários com menor nível escolar.

“Há muita falta de informação e preconceito. Na entrevista, já são descartados. E isso não se restringe a linfomas e leucemia, mas a outras doenças também”, constata a advogada Renata Delcelo Von Eye, da ABRALE. “Falta conhecimento por parte do mercado, porque há cura e a pessoa volta à vida normal. É preconceito achar que vai necessariamente se afastar”.

Em suma, de maneira discreta e oficiosa, as empresas não querem esse tipo de “problema”. O “problema”, na verdade, é que qualquer pessoa saudável também pode ficar doente, mas os profissionais de Recursos Humanos costumam ser reticentes e implacáveis.

Mas o que fazer, então?

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De acordo com a Dr. Renata, não existe uma cartilha, mas melhorar sua qualificação é sempre bom. “Na ABRALE, tentamos ajudar profissionais a serem reinseridos e um dos caminhos é a qualificação para aumentar as chances na próxima entrevista”.

O mesmo vale para a requalificação, com a busca por uma nova área de atuação. E uma forma de recomeçar sem depender de empresas e entrevistas de emprego é encontrar o seu próprio caminho. “Temos parceria no Senac, com cursos técnicos para ser autônomo, curso de
empreendedorismo… Abrir o próprio negócio ou se tornar um profissional liberal pode ser um bom caminho”.

A busca por novos caminhos não vai mudar a realidade. A recolocação é difícil para alguém que já teve diagnóstico de câncer, mesmo estando curado. Principalmente em um momento de crise e desemprego, como o dos últimos anos.

A recessão complica a volta ao trabalho

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O processo recessivo só agrava a situação e favorece que a história se repita: a pessoa que está em tratamento, afastada pelo INSS, tem alta e, quando retorna, é demitida. Contrataram outro para a vaga e eles não querem remanejar.

Pela legislação, continua a advogada da ABRALE, não existe estabilidade por doença. Há normas coletivas que têm essa cláusula prevendo estabilidade de 60 dias. Existem doenças que têm um ano. “Ainda assim, quando vence o prazo, são demitidos”.

Um agravante é que portadores de câncer de sangue não se enquadram no chamado PCD, pessoas com deficiência física e psiquiátrica, que têm direito a cotas em empresas. “Temos feito um trabalho com outras associações para tentar incluir pacientes com doenças graves, como câncer de sangue, insuficiência renal e problemas no fígado, nessa categoria”, diz Renata Von Eye.

Até lá, contar com a boa vontade das empresas não é uma opção. “Não conheço nenhuma empresa que tenha trabalho em relação a pessoas com doenças graves, como o câncer”, diz a advogada. “Além disso, o mercado está ruim para todo mundo, e pior para quem já teve um diagnóstico de doença grave”.

Nesse caso, devo mencionar na entrevista de emprego minha doença? Bom, essa é uma decisão muito pessoal. Seria ótimo se as áreas de RH levassem em conta que as pessoas voltam a ter uma vida completamente normal, sem sequela, quando o tratamento é bem-sucedido. “Eles
fazem o tratamento, mesmo com transplante, e ficam bons. Vejam os casos do Reynaldo Gianecchini e do Edson Celulari”, aponta Renata.

“Seja como for, não condeno quem decide não contar porque sabe que vai ser barrado, da mesma forma que também entendo quem resolve falar por conta de uma questão ética”, diz Renata.

Como funciona o afastamento?

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O nome do benefício é auxílio-doença. A pessoa descobre que vai precisar se tratar, fica 15 dias afastada pagos pela empresa e, no 16º dia, entra no INSS. “Eles costumam demorar, mas pagam direitinho enquanto a pessoa estiver afastada”, diz a advogada.

Importante lembrar que doenças como LMC, em princípio, não garantem o auxílio, porque a pessoa tem a doença, mas não está doente. “Nesse caso, é preciso juntar relatório médico e exames. Eles dão um tempo do auxílio-doença, mas, em um ano, tem que pedir prorrogação, com abertura de novo processo”.

Uma situação possível é que a empresa, em vez de demitir, mantenha seu funcionário afastado. “O colaborador nunca é demitido, não rescinde, só fica afastado. Tem um debate sobre o plano de saúde, já que a empresa não pode cancelar o convênio de saúde do funcionário afastado”, explica Renata Von Eye. “O problema nesse caso é que o funcionário tem que pagar, porque não tem como descontar da folha de pagamento, já que ele está afastado”. Uma possibilidade adicional é converter o afastamento em aposentadoria por invalidez, também garantida pelo INSS.

No caso de funcionários públicos, a situação é mais favorável, já que se afastam com salário integral. “Além disso, não podem ser demitidos sem justa causa. Voltam normalmente”.

Jean Pierre, paciente de mieloma múltiplo

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“Era gerente de RH, e conheço bem admissão, demissão e direitos”

“Tive de me submeter a um transplante de medula óssea e fiquei três anos sem emprego, recebendo pelo INSS. Ao tentar reingressar no mercado, não sabia se omitia a informação ou se expunha a situação.

Trabalho com recursos humanos, era gerente de RH, e conheço bem admissão, demissão, direitos. Antes mesmo do mieloma múltiplo, pessoas vinham e os meus próprios chefes passavam a informação para não contratar. Isso era um padrão. Sabia como funcionava, mesmo assim, disse que era transplantado. Por já ter trabalhado no setor, sabia que não seria diferente comigo. Além disso, o mercado está difícil, com a economia estagnada. Hoje, sou autônomo.

E olha que, por ter sofrido uma fratura no acetábulo (o que levou a diagnóstico de MM), consigo me enquadrar como PCD. Existe uma lei que reserva vaga para PCD. Mas encaminhei currículos, fiz cadastros e ninguém me chamou até agora. Mesmo sendo formado em Comunicação Social e já tendo trabalhado em multinacional. Sim, montei inúmeras células de recursos humanos em várias empresas. Tenho 44 anos, não manco, corro, nado… preciso manter o peso, por conta da prótese. Não tenho dor, cansaço… nem gripe. Não me medico, só faço acompanhamento anual. Se acontece comigo que tem preparo, imagina com quem não tem?”

C. da Silva, paciente de LMCposso trabalhar com cancer, pessoa com cancer pode trabalhar, funcionario com cancer pode trabalhar, voltar ao trabalho apos cancer, a volta ao trabalho, baixa medica voltar ao trabalho, voltar ao trabalho depois de baixa médica, licença medica, cancer, tramento de câncer, afastamento para cancer, como voltar ao trabalho depois do auxilio doenca

“Faço acompanhamento, recebo ajuda psicológica e consegui me reerguer”

“Tenho 38 anos e sou formada em Comércio Exterior, embora atue na área financeira. Faz um mês que voltei a trabalhar. Não contei no exame admissional que tenho LMC. Planejava ter um segundo filho e, nos exames de rotina, tive o diagnóstico, o que me fez desistir da ideia. Isso foi em 2016. Fiquei de dois a três dias internada. Tomei medicamento, mas é uma doença tranquila, tive sorte. Continuo tomando remédio, faço acompanhamento, recebo ajuda psicológica e consegui me reerguer.

Na época, fui amparada pela empresa em que trabalhava. Tinha plano de saúde, era liberada para as consultas. Mas, aos poucos, fui ficando esquecida até ser demitida. Tinha comunicado o diagnóstico em outubro de 2016 e, em dezembro, já havia uma pessoa contratada dividindo funções e com o mesmo salário. Ela está lá até hoje.

Embora não tivesse complicações físicas, o abalo psicológico foi grande. Uma espécie de luto. Afetou minha produção. Perdi a concentração. Me demitiram em fevereiro de 2018, depois de um ano e meio. Pararam de olhar para mim, fui sendo discriminada, até o dia da demissão.

Entrei na justiça por dano moral, sem sucesso, descaracterizou pelo tempo. Cadastrei-me em sites de vagas e, até ser recontratada, trabalhei como motorista de aplicativo. Minha doença é considerada crônica. E, como praticamente 100% não fala, decidi não contar também nas entrevistas. Falar de leucemia assusta e as pessoas não entendem. Há uma discriminação silenciosa, em doses homeopáticas. Só entendemos quando mudamos de campo e nos tornamos pacientes.”

NA ABRALE, AJUDAMOS OS PROFISSIONAIS A SEREM REINSERIDOS E UM DOS CAMINHOS É A QUALIFICAÇÃO PARA AUMENTAR AS CHANCES NA PRÓXIMA ENTREVISTA

 

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