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Tatuagem – Arte e autoestima após o câncer

  

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Gravar na pele momentos importantes ou até mesmo resignificar as cicatrizes após uma cirurgia oncológica podem ajudar pacientes no processo de superação

Gravar na pele momentos importantes ou até mesmo resignificar as cicatrizes após uma cirurgia oncológica podem ajudar pacientes no processo de superação

Por Natália Mancini

Nem sempre a tatuagem foi bem vista e aceita na sociedade. Mas de alguns anos para cá, elas estão ganhando cada vez mais espaço entre homens e mulheres.

Os motivos para fazer uma tatuagem são bem particulares. Às vezes, a pessoa faz só por gostar ou achar bonito. Já em outros momentos, o significado e mensagem podem falar mais alto. Mas há também quem decida marcar a pele para cobrir alguma cicatriz, como é o caso de mulheres que passaram por uma mastectomia, após descobrirem um câncer de mama.

A tatuagem nada mais é que um desenho feito por meio da pigmentação na pele e, por isso, também é conhecida como dermopigmentação. Para que a tinta não saia, ela precisa atingir a derme, camada da pele que fica logo abaixo da epiderme (camada mais externa). E para que isso aconteça, são usadas agulhas muito finas que penetram cerca de 2mm de pele até atingir o local adequado. Por isso, algumas pessoas acham tão dolorido!

A Dra. Dolores Gonzalez, dermatologista especializada em Oncologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Coordenadora de Ambulatório na Faculdade de Medicina do ABC, diz que é preciso tomar certos cuidados antes e depois de realizar uma tatuagem.

Primeiramente, é importante procurar por um profissional que siga as regras de assepsia. Ou seja, que utilize agulhas descartáveis, produtos de qualidade e mantenha o estúdio higienizado.

“Algumas pessoas podem ter sensibilidade a certos pigmentos, como corantes de tinta de cabelo e tintas de tatuagem. O ideal é fazer um teste com o pigmento na região do antebraço. Essas reações dependerão também da procedência da tinta”, explica a dermatologista.

tatuagem - câncer Tatuagem e câncer não tem relação

De acordo com a Dra. Dolores, é possível que a tatuagem possa dificultar o diagnóstico precoce do câncer de pele, pois as cores aplicadas podem se confundir com o comecinho do melanoma. Mas a tatuagem por si só não pode ser considerada um fator de risco.

“O pigmento que é absorvido pelos macrófagos e que depois vai para os linfonodos não apresenta um risco real de se desenvolver linfoma ou outro tipo de câncer. A pessoa pode já ter uma propensão e a tatuagem acabar sendo um agravante, mas ela não é um desencadeador”, explica.

Havendo um treinamento dos tatuadores e profissionais que lidam com o público e acabam vendo áreas do corpo que normalmente ficam cobertas, o diagnóstico precoce pode até ser facilitado.

Se esses profissionais forem treinados para identificar manchas que despertem alguma suspeita, eles podem recomendar que a pessoa procure um médico para saber mais sobre essa anormalidade na pele e tratá-la.

Tatuagem durante o tratamento oncológico. Pode ou não pode?

Como comentado anteriormente, para que a tatuagem seja feita é preciso utilizar agulhas e isso causa um “trauma” na pele. Como o paciente em tratamento do câncer já possui uma certa sensibilidade, é recomendado que não faça nenhuma tatuagem durante esse período.

A quimioterapia faz com que o paciente tenha, naturalmente, uma queda na sua imunidade. Então se tatuar nesse momento pode aumentar as chances de ter uma infecção. Os pacientes que estão utilizando imunoterapia e radioterapia também não estão liberados para tatuar, já que dentre os efeitos colaterais estão reações alérgicas e irritações na pele.

“Para fazer uma tatuagem, o ideal é que a pessoa já tenha terminado o tratamento há, pelo menos, três meses e tenha a autorização do oncologista. É importante que seja feita com profissionais reconhecidamente aptos para lidar com paciente oncológico, que tenham toda as técnicas de assepsia e pigmentos de primeira qualidade”, recomenda a Dra. Dolores.

tatuagem - câncer - câncer de mamaAutoestima após vencer o câncer de mama

Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), 70% das mulheres que enfrentaram um câncer de mama precisaram realizar a mastectomia, cirurgia que remove totalmente ou parcialmente as mamas e costuma deixar cicatrizes que incomodam muitas mulheres.

Nesse caso, a realização de uma tatuagem para cobri-las é uma ótima possibilidade e não há contraindicações. É preciso, entretanto, esperar um ano após a cirurgia para que todo o processo cicatricial tenha sido concluído e a cicatriz esteja pronta para ser manipulada. Antes de realizar a tatuagem, é importante falar com o médico para ele liberar a pigmentação.

“Seguindo os mesmos cuidados de profissional habilitado e com liberação do oncologista, não existe nenhuma contraindicação para a realização da tatuagem na cicatriz da mastectomia e isso ajuda muito as pacientes”, diz a Dra. Dolores.

Dentre as possibilidades de tatuagens, os profissionais da área recomendam que não seja escolhido um desenho com muitos traços e linhas retas, pois existe uma certa dificuldade para fazer esse tipo de ilustração devido ao relevo das cicatrizes.

Normalmente, são usadas flores com muitos detalhes. Se a mulher preferir, também há a possibilidade de realizar uma cópia realista do mamilo e aureola (muitas vezes, na cirurgia, eles também são retirados).

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