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Existem quatro tipos de leucemia, cada um com suas especificidades. Mas não são tão simples de entender. Veja nesta matéria as principais dúvidas e respostas sobre este câncer

Existem quatro tipos de leucemia, cada um com suas especificidades. Mas não são tão simples de entender. Veja nesta matéria as principais dúvidas e respostas sobre este câncer

Por Natália Mancini

Receber o diagnóstico de uma leucemia pode causar um certo choque para o paciente. São muitos conceitos, medicamentos e coisas novas para entender. E isso tudo pode acabar sendo muito confuso.

É importante conversar com o médico para tentar tirar a maioria das dúvidas. Mas é normal que acabe ficando algumas perguntas após a consulta. Por isso, separamos as principais dúvidas dos pacientes e agora iremos respondê-las!

Vamos começar pela leucemia linfóide crônica (LLC)!

Watch and Wait. O que significa isso?

Um dos conceitos que geram mais dúvida nos pacientes da LLC é o “watch and wait”, traduzindo do inglês para o português, “observar e aguardar”.

A confusão ocorre, pois, após o paciente receber o diagnóstico, na maioria dos casos, é indicado que ele não dê início a nenhum tratamento. “Como assim eu tenho uma leucemia e não vou tratá-la imediatamente?”, muitos pacientes pensam. Mas é isso mesmo, nesse estágio inicial só é necessário o acompanhamento da evolução da doença.

O Dr. Celso Massumoto, hematologista, coordenador da unidade de Transplantes de Medula Óssea do Hospital Nove de Julho e membro do Comitê Médico da Abrale, explica que os especialistas optam por esse caminho pois a LLC não avança rapidamente.

principais dúvidas; leucemia; watch and wait“A maioria dos pacientes tem uma evolução muito lenta. Isso significa que para se desenvolver, a doença leva mais de dez anos”, explica ele.

É importante ressaltar que isso não significa que o paciente será abandonado pelo seu médico. Muito pelo contrário! O paciente deve se consultar e realizar os exames uma vez por ano, pelo menos. Por meio desses exames, o médico avaliará a evolução dos sinais que o paciente apresenta para decidir se chegou a hora de iniciar o uso dos medicamentos.

“Nós analisamos se o paciente apresenta perda de peso, febre ou aumento da taxa de duplicação dos linfócitos em menos de um ano. Por exemplo, se o indivíduo tem 6 mil linfócitos no sangue e um ano depois ele tiver 12 mil, significa que duplicou em um ano. Então, nesse caso, ele deveria iniciar o tratamento”, diz o Dr. Massumoto.

Devido a essa evolução mais lenta, o diagnóstico precoce não tem tanta importância quanto nos outros casos. Normalmente, a LLC é descoberta pelo hemograma realizado durante o check up anual. Ou ainda acontece muito de o paciente estar investigando outro problema de saúde e acabar encontrando a leucemia.

principais dúvidas; leucemia; tmoOs pacientes de LLC precisam fazer transplante de medula óssea (TMO)?

Hoje em dia são poucos os pacientes que são submetidos a um TMO. Isso acontece porque a medicina dispõe de muitas drogas de última geração, aumentando as taxas de resposta ao tratamento.

“Então é muito provável que o transplante vá ser indicado apenas para aqueles pacientes considerados de altíssimo risco”, diz o hematologista.

Próximo passo – Leucemia mieloide crônica (LMC)

LMC é câncer? E quais os tratamentos?

Antes de mais nada, é importante destacar que a LMC é sim um câncer. Alguns médicos optam por utilizar o termo “neoplasia hematológica” pois a palavra “câncer” tem um impacto negativo muito grande. Mas sim, ela é um câncer do sangue.

Dito isso, vamos seguir aos tratamentos.

Atualmente, são utilizados três inibidores de tirosina quinase para o tratamento da LMC. O de primeira geração, que é o mesilato de imatinibe, os de segunda geração, dasatinibe e nilotinibe, e os de terceira geração.

“Na verdade, não significa que são primeira e segunda opção. No tratamento inicial, para a maioria dos pacientes, é dado o imatinibe. Para alguns pacientes que não obtém uma resposta citogenética adequada, nós podemos iniciar o tratamento com os inibidores de segunda geração”, explica o Dr. Massumoto.

Alguns pacientes já estão sendo tratados inicialmente com os inibidores de segunda geração. E, de acordo com os resultados obtidos até agora, a resposta molecular profunda é maior neste grupo.

O Dr. Massumoto pondera que “no futuro seja muito provável uma mudança no tratamento, utilizando os inibidores de segunda geração no início do tratamento. Mas, por enquanto, nós não fazemos isso”.

Caso o paciente não apresente a resposta esperada mesmo depois de tomar os três inibidores, ele é indicado para a realização de um transplante alogênico de medula óssea. Nesse caso, é preferível que o doador seja algum membro da família ou não aparentado com compatibilidade HLA 9 de 10 ou 10 de 10.

O que é o PCR e para que ele serve?principais dúvidas; leucemia; pcr

O PCR (do inglês polimerase chain reaction) é um exame realizado tanto para diagnosticar a LMC, quanto para identificar o estadiamento da leucemia.

É um exame de sangue no qual se realiza a duplicação do DNA do paciente para procurar uma mutação genética chamada BCR-ABL, do cromossomo de Philadelfia. O resultado desse exame indicará o grau de resposta da doença. Sendo que 1 é o grau mais grave e o 4, considerado resposta molecular profunda, é a estabilização da leucemia- ou seja, a doença está controlada e não está mais ativa.

Durante o tratamento da LMC, é preciso realizar os exames a cada 3 meses, para avaliar a resposta molecular. O Dr. Massumoto afirma que “caso o indivíduo não obtenha resposta molecular 4 em um ano, é preciso mudar de tratamento”.

principais dúvidas; leucemia; inibidoresEu posso parar de tomar o inibidor?

Existem estudos clínicos para a descontinuação dos inibidores após, pelo menos, três anos de tratamento e resposta molecular nível 4. “Se o paciente perde a resposta acima de 4 e passa para 3, já significa que não está mais apresentando bons resultados. Com isso, deve retomar o inibidor”, o hematologista chama atenção.

Existem também alguns pacientes que interrompem temporariamente o uso do inibidor, seja devido a uma cirurgia de grande porte, por ingestão de bebida alcoólica ou por algum outro motivo. Nesses casos, o Dr. Celso alerta que essa pausa não pode durar mais de sete dias. Caso ultrapasse essa data, o tratamento poderá ser prejudicado.

Por fim, e não menos importante, as leucemias agudas.

Os pacientes com estes tipos de leucemia tendem a ter um certo temor, pois acreditam que elas sejam mais difíceis de serem tratadas e curadas. Além, também, do medo da possibilidade de recidivar. Esse receio faz com que surjam muitas dúvidas, mas, na verdade, essas leucemias não são tão complicadas.

principais dúvidas; leucemia; tratamentoA leucemia mieloide aguda (LMA) e a leucemia linfóide aguda (LLA) são mais difíceis de serem tratadas?

O Dr. Massumoto responde certeiramente que não! “Não. É que aí vai entrar numa gama muito grande de possibilidades”, completa ele.

Por exemplo, a LLA quando acontece em crianças apresenta uma alta taxa de sobrevida. Elas possuem uma chance de cura em torno de 80%. Enquanto que para os adultos, essa taxa é de 20% a 30%.

Já para a LMA, o hematologista explica que “os melhores tratamentos são para aqueles pacientes que tem um bom prognóstico”.

Ele exemplifica que pacientes mais idosos nem sempre apresentam uma boa resposta à quimioterapia convencional. Portanto, esse tratamento apresenta uma baixa taxa de cura. Para sanar esse problema, estão desenvolvendo um medicamento para pacientes de LMA com mais de 75 anos. E espera-se que ele seja de grande ajuda.

principais dúvidas; leucemia; recidiva

Por que os pacientes de LMA e LLA recidivam tanto?

Não é que eles recidivam muito. “É que são pacientes de alto risco que têm uma leucemia com muitas alterações citogenéticas, conhecidas como de alto risco, e recidivam. Existem outras LMA e LLA que tem um bom prognóstico e são altamente curáveis”, explica Massumoto.

O que acontece é que, ao misturar todos os tipos de leucemias agudas, aquelas que são de fatores de pior prognóstico vão aumentar a mortalidade e influenciar nos resultados.

Quais são os melhores tratamentos para as leucemias agudas?

O Dr. Massumoto responde enfaticamente que não existe um melhor tratamento. Cada caso é um caso e cada paciente responderá de um jeito. Então é necessário conversar com o médico para saber quais são as opções disponíveis e trarão o melhor resultado, individualmente.

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Natan

boa tarde eu tenho Lmc,a 2 anos e a doenca esta contralada nivel de bcl normal tudo ok. sendo que achei um trabalho otima oprtunidade e os exames sao muitos rigidos, sendo que no hemograma tem o V.D.R.L que detecta doencas como sifilis e etc. SERA QUE NO MEU CASO FAZENDO ESSE EXAME DETECTARIA QUE TIVE LMC?
FAZER EXAMES PERIODICAMENTE E ESTA TUDO NORMAL….

IRIA DE JESUS

Sou portadora de LMC há oito anos. Iniciei com imatinibe. No quinto ano fui para o dasatinibe. Apesar da resposta clínica ser boa com imatinibe, tinha reações adversas muito ruins. Vômitos diários, câimbras, diarreia. Há três semanas passei mal, fui diagnosticada com edema pulmonar e tanto o pneumologista quanto o hematologista disseram que a causa é a toxidade do tratamento e o dasatinibe foi suspenso até a próxima consulta, dia 29. Além do edema, que foi controlado só com medicação, sem fazer punção, a pressão foi às alturas (20 x 9, 18 x 9 …agora 14 x 9). Naturalmente estou… Read more »

MARCELO

Olá, me chamo Marcelo. Fui diagnosticado com a LLC. Tenho 43 anos de idade e em um dos exames a taxa de células cancerígenas foi muito baixa (1.700), tomei alguns medicamentos como Eprax, Mabthera… E nada. Realizo exame de Hemograma periodicamente para acompanhar minha HB, que sempre está baixa (5-7). Gostaria de aproveitar esse espaço e oportunidade e saber qual o tratamento ideal para o meu caso específico.

Cielma

Oi, Boa noite. Meu marido descobriu em Março de 2016 uma a LLA, o mundo quase desaba, ele tinha perdido uma prima (ela só conseguiu fazer 2 Quimios) mês anterior com a mesma LLA, ele Passou por 8 Quimioterapia devastadora, foi difícil, enfrentou 13 UTI ao todo, pegou várias pneumonia, os médicos já ñ sabiam o que fazer, se foram muitos colegas que nem chegaram a terminar as Quimios e outros pós transplante, a última vez que ele passou 22 dias no hospital foi em Fevereiro de 2019 pegou uma Zóster que até hj tem seqüelas Hj tá controlada, porém… Read more »

Luciane

Boa tarde meu irmão tem LMA, fez uma primeira quimioterapia conseguiu a remissão da doença fez mais 2 ea doença voltou agora está fazendo quimioterapia em casa e entrou na justiça para conseguir um medicamento venetoclax na justiça

Valdirene Almeida Marques

Eu sou avó de um garoto de 5anos ele faz tratamento de leucemia lla ,apois de 10 meses ele entrou em manutenção,ele é classificado como baixo risco,logo nos primeiros exame já constava que não existe essa doença na medula dele.e uma felicidade imensa pois estamos conseguindo vencer essa doença com a ajuda de Deus juntos com os médicos oncológico. Do hospital oncológico infantil Octávio lobo em Belém

Milena Xavier Cavalli e Silva

Bom dia.
Fui diagnósticada com LMA M3 em ,27/07/17 me encontro em manutenção da doença.
Minha dúvida e essa doença diminuiu meu tempo de vida? E se sim, quantos ano tenho depois de ter alta da mesma?