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Remédio para tratamento da leucemia está em falta em pelo menos sete estados e no DF

Pacientes com leucemia têm enfrentado desabastecimento de medicamentos essenciais para o tratamento e controle do avanço da doença. O principal deles é o ‘mesilato de imatinibe’, que está em falta em pelo menos sete estados

PEDRO BOHNENBERGER

Pelo menos sete estados brasileiros registram a falta de um medicamento essencial para o tratamento da leucemia. O remédio ‘mesilato de imatinibe’ já está em desabastecimento no SUS em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Rio Grande do Norte, Goiás e no Distrito Federal, segundo levantamento feito pela reportagem da CBN, a partir de informações repassadas pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. A medicação é essencial para os pacientes, que fazem uso dele diariamente para conter o avanço da leucemia.

O ‘mesilato de imatinibe’ é de responsabilidade de aquisição e distribuição do Ministério da Saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, apenas no estado paulista são 2,2 mil pacientes que necessitam da medicação pelo SUS.

O Ministério da Saúde afirmou em nota que a previsão para entrega de um novo lote é fevereiro. Porém, essa possibilidade gera apreensão aos pacientes atendidos.

Moradora de São Paulo, a estudante de enfermagem Itaciara Monteiro, de 36 anos, faz uso desse medicamento há quase 20 anos. Ela relata que o remédio já está em falta há quase 8 meses.

“Nós estamos sentindo como se fôssemos condenados à morte, porque a medicação está faltando já há quase 8 meses. O Ministério da Saúde fica dando prazo, dizendo que vai chegar daqui a um mês, daqui a dois meses, falaram que antes do final do ano iria ser distribuído para todos os estados, agora saiu uma nota, agora em janeiro, falando que é só em meados de fevereiro… então quer dizer, a gente já não acredita mais. O Ministério da Saúde sabe que a nossa leucemia é uma leucemia crônica, que não tem cura, a gente precisa tomar essa medicação pro resto da nossa vida”.

Essa medicação impede que a medula produza células doentes. Com isso, mesmo nos casos crônicos, os pacientes conseguem ter uma vida digna, trabalhar, estudar e fazer suas atividades. A falta dos inibidores pode agravar os casos e obrigar essas pessoas a fazerem um transplante de medula, por exemplo, medida que só é adotada quando não há mais alternativas de controle da enfermidade.

A Gerente de Apoio ao Paciente da Abrale, Melissa Pereira, aponta que a entidade tem recebido diversos relatos e apelos de pacientes do país.

“É uma angústia. É mãe desesperada, é o próprio paciente, é irmão… Esse é um medicamento razoavelmente de alto custo, ele custa mais ou menos uma média de R$1.400 a R$1.800 pelas distribuidoras. Então uma família, vamos pensar que são pacientes do SUS, muitas vezes esse dinheiro é o salário que ele recebe no mês. O que esses pacientes acabam fazendo é que um ajuda o outro: sobrou um pouquinho, doa um pouquinho para o outro”.

O imatinibe não é o único remédio inibidor que está em falta no país. Dasatinibe e Nilotinibe são outras duas medicações desse tipo que também não foram encontradas por pacientes com leucemia. Moradora de Minas Gerais, Bárbara Guimarães, de 29 anos, depende desses medicamentos. Desde meados de setembro ela já não consegue os fármacos pelo SUS.

“Isso é um direito nosso, nós temos direito à vida. Não está fácil essa situação, está se tornando uma situação caótica. A gente quer viver nossa vida com tranquilidade, com saúde. Estamos falando de saúde, de vida, de pessoas que tem famílias, filhos…”

Sem explicar os motivos para o desabastecimento, o Ministério da Saúde afirmou que tem dialogado com a empresa responsável por fornecer os remédios para que ocorra a entrega o mais rápido possível.

Fonte: CBN

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