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Pandemia atrasa assistência oncológica

(Última atualização: 27 de setembro de 2021)

A maioria dos pacientes oncológicos impactados depende do Sistema Único de Saúde para diagnóstico e tratamento da doença

A pandemia de coronavírus não afetou apenas pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2. Pacientes de doenças crônicas — em especial, das mais de 100 incluídas na classificação de câncer — sofreram e ainda sofrem os efeitos da covid-19. Uma pesquisa organizada pelo movimento da sociedade civil Todos Juntos pelo Câncer mostrou que, entre 2020 e 2021, mais de 30% dos pacientes oncológicos tiveram suas consultas remarcadas ou canceladas, sendo que, no ano passado, o tratamento de 33% delas foi interrompido.

A maioria dos pacientes impactados — 69% em 2020 e 88% em 2021 — depende do Sistema Único de Saúde para diagnóstico e tratamento da doença. “Vamos sentir durante muitos anos o reflexo da covid na assistência oncológica. Ao mesmo tempo em que se avança no controle da epidemia de covid, veremos uma epidemia de mortes por câncer”, afirma a médica sanitarista Catherine Moura, CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), que integra o Todos Juntos pelo Câncer.

A pesquisa, realizada com 774 pessoas em 2020 e, por enquanto, 150 neste ano, revelou que um problema pré-existente para dependentes do SUS — dificuldade para marcação de consultas, realização de exames diagnósticos e cirurgias, acesso ao tratamento e a medicamentos de alto custo — foi intensificado pela pandemia. Uma em cada quatro pessoas ouvidas ainda sofre os impactos da covid-19, mostra o estudo. Entre os usuários da saúde suplementar, o coronavírus também influenciou negativamente a assistência, mas em um grau bem menor: 67% e 74% deles foram afetados em 2020 e 2021, respectivamente.

O tempo é importante em qualquer situação de saúde. Mas, na oncologia, ele é fundamental para possibilitar a maior chance de cura ou de sobrevida. Qualquer interrupção tem um impacto brutal, não só agora, mas em curto e médio prazo”, destaca Catherine Moura. “Para a cura ou o controle da doença, é importantíssimo o diagnóstico precoce e, uma vez diagnosticada, o tratamento da enfermidade. Não estamos enfrentando essa crise por conta da pandemia; já tínhamos gargalos importantes, como o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado no momento certo. Mas a pandemia intensificou o problema.”

Para a sanitarista, sem medidas urgentes dos gestores da saúde pública, nas três esferas, o impacto da pandemia, tanto para os pacientes quanto para o SUS, será altíssimo.

Atribuindo os cancelamentos e remarcações de consultas, exames, cirurgias e o atraso do tratamento à falta de planejamento, Catherine Moura destaca que algumas medidas serão essenciais para tentar mitigar o prejuízo. Mutirões de exames e cirurgias, ampliação da telemedicina no âmbito do SUS e, principalmente, aumento do orçamento da saúde são algumas delas, na definição da médica.

 

Fonte: Correio Brazilience 

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