Tel: (11) 3149-5190 - Ligações Gratuitas: 0800-7739973
Mapa do Site | Fale Conosco   Orkut  Twitter   Facebook
E-mail: Senha: Não sou cadastrado
Esqueci minha senha
 
 

Humanização é debatida durante a IV Conferência em mesa-redonda multiprofissional
21/05/2006


Como humanizar o tratamento onco-hematológico foi o tema discutido entre diferentes especialistas em mesa-redonda neste sábado, 20/5, durante a IV Conferência Internacional de Onco-Hematologia. Foram passadas ao público as visões e experiências de representantes da área médica, Psicologia, Serviço Social, Nutrição, Terapia Ocupacional e Odontologia, além do ponto de vista de um paciente.

A psicóloga Heloisa Chiattone, chefe do Serviço de Psicologia Hospitalar do Hospital Brigadeiro e membro do Comitê Multidisciplinar da ABRALE, deu início à mesa lembrando que o paciente deve não apenas ser tratado, mas receber um tratamento humanizado: “um tratamento voltado para a pessoa, e não para o doente”, ressaltou a psicóloga.

Para a diretora técnica do Hemorio, a médica Clarisse Lobo, ser um profissional humanizado se baseia em três aspectos: resolução, ética e generosidade. Ela falou da importância do respeito às expectativas de seu cliente e que isso pode ser alcançado, dentre outras ações, pelo vencimento de barreiras de comunicação. O paciente deve saber o que está acontecendo com ele, em linguagem acessível, e saber que pode contar com o profissional que o atende.

A coordenadora do curso de Enfermagem Oncológica do Centro Universitário São Camilo, a enfermeira Eloise Vieira, concorda com essa visão. Segundo ela, a disponibilidade e igualdade na relação entre profissional da saúde e paciente geram respeito mútuo. Eloise atentou, no entanto, para o fato de que o que se aplica a um cliente pode não ser o ideal para outro, daí a necessidade de uma assistência individualizada.

Atendimento especial que atenda às necessidades específicas de cada um também faz parte do trabalho da pediatra nutróloga Fabíola Isabel de Souza, da Faculdade de Medicina do ABC. Ela conta que a alimentação adequada ao paciente, deve não apenas fornecer energia, amenizar efeitos colaterais, repor perdas e tentar manter o peso ideal, mas também levar em conta aspectos como a preferência e hábitos alimentares de cada um, regionalidade dos pratos e tipos de tratamento. “Além disso, é muito importante alimentar-se em locais agradáveis e na companhia de pessoas queridas, tornando assim a refeição um momento especial de troca”, completou a nutróloga.

Já a terapeuta ocupacional Ana Paula Mastropietro, do Serviço de Terapia Ocupacional do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, falou da importância de atividades recreativas, inclusive para acompanhantes. A terapeuta realiza junto a seus pacientes grupos de pintura, organiza grupos de despedida quando recebem alta, além de oferecer a eles uma biblioteca itinerante e uma brinquedoteca para crianças e adultos.

Muito pode-se fazer para que um paciente não perca sua auto-estima e sua vontade de lutar pela cura. A cirurgiã-dentista da equipe de Odontologia Hospitalar do Hospital Santa Isabel e membro do Comitê Multidisciplinar da ABRALE, Rosana Cláudia Wakim, acompanha transplantados até um ano após o procedimento e os que ainda irão receber uma nova medula. Parte de seu trabalho é orientá-los em relação a uma correta escovação e dieta adequada, que não cause danos à boca. “Afinal, sorrir é muito importante”, disse Rosana.

“Orientar sempre baseado na verdade” é o objetivo do trabalho da assistente social Célia Redó, do Serviço de Hematologia do Hospital das Clínicas. Ela mobiliza recursos materiais e humanos que favoreçam o tratamento de pessoas que não tenham condições de arcar com custos como transporte e moradia. Além disso, ela também contribui no processo de reabilitação social desses pacientes, que muitas vezes acabam se afastando do convívio social em decorrência do tratamento.

A mesa-redonda foi encerrada com o depoimento do engenheiro Walter Console, que teve o diagnóstico de mieloma múltiplo há seis anos e que já passou por dois transplantes de medula óssea. Walter é graduando da faculdade de Direito, e atua como voluntário na área jurídica, garantindo medicação a quem não tem possibilidade de pagar por ela.

Ele falou do quão importante é a relação médico-paciente-família na aceitação da doença. Segundo ele, o médico é o guia no processo de cura, e que uma equipe multiprofissional capacitada e disponível, que cuide do paciente com paciência e carinho, diminui até a dor física. “Médicos e enfermeiros estão lá para nos fortalecer. A gente só pode humanizar se se colocar no lugar do outro”, concluiu Walter.

Paulo Furstenau