Causas e prevenção.
A primeira preocupação que absorveu a Psico-Oncologia, portanto, teve seu foco nas origens e causas da doença. Numerosos trabalhos exploraram fatores genéticos, ambientais, sociais e psíquicos que poderiam ser associados à eclosão do câncer, na busca de uma relação de causa e efeito. E o resultado de consenso, fruto dessas investigações, aponta para a multifatoriedade, entendida esta como o conjunto dos fatores biopsicosociais presentes, em maior ou menor grau, na instalação das neoplasias malignas. Hoje, a esse tripé se agregou uma gama de aspectos chamados de espirituais, que se referem ao significado - ou à sua perda – atribuído às experiências vividas.
A compreensão de causalidade é essencial à busca de respostas sobre as possibilidades de prevenir a doença, de evitar que ela se instale. Dada a natureza dos fatores envolvidos, constata-se que, diante de alguns deles, não se pode interferir. É o caso dos marcadores genéticos de sexo, por exemplo, que determinam a vulnerabilidade para alguns tipos de câncer. Também pouco se pode fazer, pelo menos em prazo curto e em dimensão individual, a respeito de determinados fatores ambientais já identificados como correlacionados a algumas patologias: poluição ambiental, irradiações, agrotóxicos e outros.
E, no que se refere ao psiquismo, os fatos da vida estão aí para serem vividos. Proteger-se de alguns deles poderia significar, muitas vezes, renunciar à vida em si mesma e às emoções que ela encerra.
No entanto, se é verdade que a ausência absoluta de risco é uma concepção teórica nem sempre desejável ou possível, existem hábitos que podem ser modificados, como aqueles já citados (tabagismo e determinados padrões alimentares que levam à obesidade), uma vez que, reconhecidamente, aumentam de modo considerável o risco do câncer. O consumo excessivo de álcool, o sedentarismo e a exposição à radiação solar também são responsáveis diretos pelo início de alguns tipos de câncer.
Define-se aí uma das vertentes de ação da Psico-Oncologia: a compreensão das escolhas de modos de vida e das razões que levam indivíduos a uma exposição maior ao risco. Desenvolveram-se técnicas de intervenção voltadas à redução desses comportamentos.
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