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Estresse: todos no mesmo barco.
Maria Teresa Veit

No período que envolve o mês que, entre nós, é convencionado como o mês das crianças, pensamos em trazer para este espaço, uma questão que não escolhe idade e que está presente na realidade que nos envolve desde o nascimento até a morte.

Todos os seres humanos - estes adultos, crianças ou idosos - deparam-se seguidamente com situações que os assustam, ameaçam ou desafiam. Basta estarmos vivos para experimentarmos a força dos nossos desejos, a inquietação dos desafios, a realização das conquistas, o medo do desconhecido. Esses sentimentos acontecem no dia a dia,por força das exigências profissionais, sociais ou familiares, ou ainda das conquistas que nos trazem grandes alegrias, como uma promoção no trabalho, a oportunidade para uma grande viagem, a aquisição de um brinquedo há muito sonhado.

Cada uma dessas situações desencadeia um processo interno e automático de avaliação que vai determinar uma variada possibilidade de reações da pessoa envolvida. Reagimos, de modo geral, às respostas que temos para as perguntas que formulamos quando nos vemos frente ao novo fato. Por que motivo isto está acontecendo comigo? Será que corro perigo? Sou capaz de lidar com esta situação?

Podemos imaginar que esse mecanismo é universal e todos são vulneráveis a ele. Tomemos dois exemplos. No primeiro caso, temos um profissional de sucesso diante de uma promoção muito desejada, que significa novas oportunidades, melhor remuneração, maior reconhecimento. Em função das respostas que ele tiver para as perguntas que apresentamos acima, este profissional poderá sentir-se extremamente ameaçado, assustado e despreparado para aquilo que tanto querida, o que lhe trará considerável desgaste emocional. Como um segundo exemplo, imaginemos uma criança que acaba de receber o diagnóstico de uma doença que requer tratamento complexo e prolongado. Caso sinta-se culpada pela situação, temendo o perigo à própria vida e não se considere capaz de lidar com todo o tratamento e suas dificuldades, ela mostrará todos os sinais de importantes danos ao seu equilíbrio habitual.

Estresse é a denominação para uma cadeia de reações que se seguem a todas as vivências interpretadas como ameaçadora pelo ser humano. A natureza da situação enfrentada é muito menos importante do que a forma como ela é vista. Explica-se assim que ocorrências aparentemente iguais despertem reações tão diferentes em cada indivíduo. A avaliação individual é única, assim como as respostas que se seguem.

Podem-se identificar, também, dois aspectos importantes dessa questão. O primeiro é que o estresse é vida, faz parte das experiências de todos os seres e não pode nem deve ser eliminado. O segundo está ligado à compreensão de como atuam todos os mecanismos que entram em ação diante das situações de estresse.

O médico canadense Hans Selye, criador da moderna conceituação de estresse, explica que o estresse fisiológico é uma adaptação normal de todos os organizamos. No entanto, quando a resposta é acentuada ou repetida, registra-se uma disfunção que pode levar a distúrbios transitórios ou a doenças graves, no mínimo agravando as já existentes, e pode desencadear aquelas para as quais a pessoa é geneticamente predisposta.

Todos já experimentamos, diante de situações novas que avaliamos como ameaçadoras, um aumento nos batimentos cardíacos, a transpiração súbita e excessiva, as mãos e os pés frios, aquele “aperto” no estômago. Essas são as reações perceptíveis, mas não são as únicas que se processam. Existem aquelas internas, que provêm de uma cascata de hormônios que são jogados na circulação sanguínea e que, se perdurarem por determinado período de tempo, podem ter efeitos negativos sobre renovação e crescimento celular, sistema reprodutivo, defesas imunológicas, quadros inflamatórios e outros.

A boa notícia é que nascemos todos dotados de um eficiente sistema liga/desliga que se incumbe de propiciar o retorno do funcionamento do organismo aos níveis normais, de modo a garantir que os efeitos passageiros das transformações corporais sejam plenamente recuperados e não resultem em quaisquer danos.

Mas pode acontecer uma falha nesse mecanismo inibidor natural, devida à sobrecarga ou repetição dos agentes estressores ou mesmo a um momento de fragilidade do organismo, que não consegue acionar o liga/desliga. Nessas circunstâncias, abrem-se portas para diversas ocorrências indesejáveis, como os quadros depressivos, as tensões musculares e dores diversas e o prejuízo à condição de recuperação das doenças.

Diante desses fatos e observações, foram resgatadas de culturas milenares algumas práticas que se mostram extremamente eficazes para preservarem o organismo dos efeitos prejudiciais do estresse presente em suas vidas. Não se trata de eliminar os eventos geradores de estresse, mas de desenvolver recursos efetivos para enfrentá-los de modo saudável ou para recuperar-se de eventuais danos que tenham causado.

Trata-se das práticas de relaxamento e meditação que, aprendidas e incorporadas em nossos hábitos diários, tornam-se verdadeiros escudos de proteção à saúde física, psicologia, social e espiritual. São inúmeros os recursos e diversas as suas formas, que vão de pequenos comportamentos acessíveis a qualquer um até os mais sofisticados e complexos ensinamentos, que requerem aprendizado e dedicação maiores.

Neste espaço, à guisa de finalização das considerações que nos propusemos a apresentar, gostaríamos de lembrar algumas atitudes simples que podem significar muito, independentemente de idade, gênero, cultura, religião ou profissão.

• o respeito ao tempo interno de cada um, com seu ritmo específico para a realização de cada ação;
• a importância dos momentos de introspecção, em que olhamos para dentro e aumentamos o conhecimento de nós mesmos;
• o valor dos pés descalços em contato com a terra, com a areia, com a vegetação, para a sintonia com a natureza;
• a ação relaxante da música suave, para o apaziguamento da agitação interna;
• o poder imenso do olhar amigo e da compreensão silenciosa, que não cobra e não faz perguntas, mas aceita e acolhe;
• o abraço, o beijo, a carícia genuínos.

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