O possível efeito de estresse sobre o Câncer.
Márcia M.C. Stephan
Muitas vezes pacientes oncológicos dizem saber quando o seu câncer se iniciou. Uns mencionam a morte da mãe, outros o adoecimento do pai por Alzheimer, a perda de uma filho, um divórcio, uma aposentadoria indesejada, ou seja, sempre há, anteriormente, uma perda importante.
É duvidoso afirmar que tal evento cause necessariamente o câncer pois diversas pessoas sofrem perdas bastante dolorosas e não desenvolvem neoplasias.
Entretanto um luto que não tenha sido ressignificado,pode ajudar o aparecimento de doenças, dentre elas o câncer.
Ressignificar uma perda é metabolizá-la bem, aceitá-la e transpor o fato criando outros significados para ele.
Há pessoas que se fixam em um fato e continuam a vivê-lo sem evoluir para outras etapas, não criando outros projetos, outras metas; tornam-se prisioneiros do passado.
Isso causa um estresse continuado e crônico, que mesmo não sendo sentido pela pessoa, vai minando o funcionamento do seu organismo.
O ser humano necessita de certa quantidade de pressão (EUSTRESS) para cumprir suas tarefas diárias, ser estimulado a perseguir novos objetivos e até para saciar as necessidades básicas de fome e sede.
Quando, porém, uma tarefa exige uma quantidade exagerada de energia (DISTRESS) para ser desempenhada, tomará recursos do indivíduo que estavam alocados para outras funções que ficarão comprometidas.
Por vezes o gasto energético não é demasiado, porém prolongado, acarretando desgaste no sistema e várias reações, todas maléficas, como, por exemplo, o adoecimento.
Saúde é o equilíbrio dinâmico entre os diversos sistemas que compõem o ser. Qualquer alteração em um dos sistemas (psicológico, neurológico, endocrinológico ou imunológico), acarreta um desequilíbrio no indivíduo.
Costuma-se dizer que as pessoas adoecem da mesma forma que vivem; se são compassivas na vida, o serão ao enfrentar as doenças; e se são assertivas, ousadas, agressivas, da mesma forma lutarão contra elas.
A posição de vítima, mesmo após vencida a doença, é negativa porque impede a superação do papel de “doente” e a devolução do controle sobre sua vida.
Raciocínio semelhante pode ser utilizado na expectativa de recorrência de um câncer. Há pessoas que lidam com o diagnóstico enfrentando-o com dor, é claro, porém dentro da realidade. Elas procuram utilizar-se de todas as possibilidades que o arsenal médico e das áreas afins oferecem e, mesmo sabendo que têm uma doença potencialmente fatal, conseguem apartear a doença e continuar com as suas vidas normalmente após a alta. Acreditam na vida que pode ser vivida a partir de então.
Alguns indivíduos, diante da possibilidade real de finitude, refazem seus planos de vida, mudam seus valores, tornam-se pessoas mais autênticas e vivem realmente o presente, que, afinal, é o único tempo que todos nós temos...
A recidiva é claro que pairará sempre sobre o paciente, seus familiares e amigos. Há, porém, cada vez mais pessoas que lutam e combatem um câncer por anos a fio e continuam vivendo tão plenamente quanto suas possibilidades permitem
Atualmente, já está constatado o importante papel da alegria na prevenção de processos de adoecimento. A Clínica Mayo apresentou um estudo sobre pessoas entrevistadas há trinta anos que se dividiam entre otimistas e pessimistas. Ao longo dos anos seguintes à pesquisa, os componentes do primeiro grupo adoeceram 50% menos das mais diversas doenças, do que as que se qualificavam como pessimistas.
Uma mistura amorosa de seriedade e leveza certamente pode ajudar... sempre!
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